10 de setembro de 2011

VI

Marco zero
é estar sem terra
sem teto
vento de rua
crua vida
deixaste aberta a ferida
e o peito agora sangra.
Ou não (des)anda
(des)ama.
Meu aluguel no seu
coração venceu?
Pago mesmo que para isso cortem
a luz ou os pulsos
espera um pouco mais.
Vem chegando o fim do mês
e depois um outro cais
onde também cobram caro.

V

Não é o fim do caminho,
não precisa desalinho.
No começo, peregrino
é preciso, desatino.
Foi uma encruzilhadas tecida
em loucas viagens
você em mim.
As bagagens não deixamos,
nem foi preciso.
É um bondinho em férrea estrada
e cada estrada, seu caminho.
Novelinhos da sacada,
mesmo ninho
nova a estrada.

IV

Sublinhar
Sub lunar
Súbito sonhar
Súdito idealizar

Se jogar
mergulhar
beber demais
e sonhamar

Deixar-se inebriar
e no tempo certo
ser nova

Ser prova de
deserto habitável
em minguância luaz

Tem sabor, sei,
alcaçuz.

Tens fulgor, sei,
crescente luz.

III

Eu pulei
     passei
     de lado
         atado
          fardo
          de ter.
Me lancei, fiquei
cravei fundo em você.
Eu voei, sonhei
         desarmado
              alado
             suado
         de morrer.

Vivo pra te saber.

Espinhaço, sangrando,
                  sagrado,
crucifixo em mão descrente
penitente, de pés alados
mas sempre preso
peso
nos seus fados.
 

28 de agosto de 2011

II

Te vejo de ângulos obtusos
Vastos, curvos, traços, vultos.
Retas linhas
dos meus planos
Finas linhas, paralelos
Entrelinhas completas por esmeros
fazem parte de dois.
Da quadrada janela
avisto tua arquitetura
teu olhar lunar noutra
dimensão.


I

Vá se fuder
eu te passo
num mormaço
de prazer.
Vai e vem.
Em tí ser.
Não vai!
Vem me fuder.
Me ter.
Me ser.
Tão.